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O Patrono |
Marquês de São Vicente |
Secretário Geral da Academia Paulista de Direito |
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PIMENTA BUENO Patrono da Academia Paulista de Direito O primeiro Juiz de Direito de Santos
JOÃO GUALBERTO DE OLIVEIRA Titular da Cadeira No. 21 Antes do invento da escrita e mesmo posteriormente,
o Direito se expressava sob a forma poética do ritmo. Daí – observa
GOGUET – o mesmo nome , em grego, para a lei e para o canto:
nomos. A cada passo se nos depara a confirmação desse fato. A
lei das XII Tábuas foi formulada em versos, e, segundo CÍCERO, a
juventude deveria aprendê-la de cor, como carmem necessarium (versos
necessários). TITO LÍVIO, falando sobre a sentença que condenou
HORÁCIO, qualificou-a de lex horrendi carminis (lei contra o
mau verso). Num dos farois portugueses, o de COVAS, existe esta
frase, equivalente a um atestado de irrecusável sabedoria: Denique
lex canet gotorum ( a lei dos godos vigirá). Mas não é mister
remontar a épocas longínquas, uma vez que ainda hoje alguns
brocardos jurídicos conservam a forma cadenciada das alterações e
das assonâncias. No tocante ao Brasil, como tantos outros varões que
em todos os ramos da inteligência, do trabalho e da coragem cívica
honram e dignificam a Pátria, o nosso incomparável PIMENTA BUENO
(José Antonio Pimenta Bueno) nasceu na Capital de São Paulo de
Piratininga em 4 de dezembro de 1803, segundo uns, e no burgo de
Santos, segundo outros. E faleceu no Rio de Janeiro em 20 de janeiro
de 1878. Rezam as crônicas que o biografado era filho de
pais incógnitos, enjeitado na porta da casa do cirurgião-mor do
burgo. Muito pobre, lutou com inúmeras dificuldades. Contudo,
conseguiu estudar e matricular-se no curso de preparatórios anexo à
Academia do Largo São Francisco, iniciando nesta escola superior em
1839 o curso de Direito. Bacharelou-se em 1843, mas somente onze
anos depois de formado defendeu tese, tendo sido aprovado plenamente
com a nota mais alta até então conferida pela Academia. Nessa quadra
da sua vida viveu com o ordenado de modesto emprego público e
trabalhou como amanuense no jornal Farol Paulistano – o
primeiro que tipograficamente se imprimiu em São Paulo, fiundado por
JOSÉ DA COSTA CARVALHO, Marquês de Monte Alegre, semanário que
deixou de circular em 1833. Formado, PIMENTA BUENO poderia ter seguido a
carreira de magistério superior. Foi porém convidado a inscrever-se
para defesa de tese, como também o foram, e aceitaram, três colegas
de turma – MANUEL DIAS DE TOLEDO, MANUEL JOAQUIM DO AMARAL GURGEL e
VICENTE PIRES DA MOTA, estes dois últimos padres e que, além de
professores, foram por largos períodos diretores da Academia.
PIMENTA BUENO foi o 28.º doutor em borla e capelo pela escola de
Leis de São Paulo. Já magistrado, foi nomeado Juiz de Fora e Juiz de
Alfândega de Santos. Puco depois, Juiz de Direito e Chefe de Polícia
da 6.ª comarca de São Paulo. Em seguida, removido para a comarca do
Paraná que ainda não se havia desmembrado de São Paulo. Dois anos
mais tarde , promovido a Desembargador com assento no Tribunal de
Relações do Maranhão, em São Luís. Deste Tribunal passou em 1847 a
servir no Tribunal da Corte, no Rio de Janeiro. O jornalista FLÁVIO GALVÃO, in Suplemento Cultural
do matutino "O Estado de S. Paulo" de 7 de agosto de 1977, n.º 43,
págs. 15/16, conta pequeno episódio que mostra bem a dimensão do
caráter de PIMENTA BUENO como Juiz.
Deixando a magistratura, PIMENTA BUENO foi nomeado
Presidente da Província de Mato Grosso, com sede em Cuiabá, onde
serviu de 1835 a 1837. Em seguida, nomeado Encarregado de Negócios
e, ao depois, Consul Geral do Brasil junto ao governo do
Paraguai. No Paraguai, permaneceu até 1846, onde estabeleceu
estreitos laços de amizades com o Presidente CARLOS LOPEZ, pai do
marechal FRANCISCO SOLANO LOPEZ, contra quem o Brasil lutaria cerca
de vinte anos mais tarde. PIMENTA BUENO granjeou mesmo ascendência
sobre o Presidente paraguaio chegando a ser padrinho de crisma de um
dos filhos deste, de nome BENIGNO. O mestre brasileiro assessorou
CARLOS LOPEZ em vários anteprojetos de lei e de regulamentos do
País. Sabedores da sua influência no governo local, a França e a
Inglaterra lhe solicitaram estudasse a possibilidade de as auxiliar
na solução dos problemas pendentes que ambas tinham com
Assunção. |